“O meu filho só come bolachas… não come outra coisa sem ser os cereais do ursinho…”

Chegam até mim muitas mães com esta dificulade, no que diz respeito à alimentação dos seus filhos.
Especialmente na fase de 1/2 anos onde vários (maus) hábitos já foram instalados e torna-se mais exigente mudá-los.
Este fenómeno é complexo e merece um olhar mais detalhado sobre cada caso.

1- O que são alimentos processados?
Tudo o que tenha rótulo, no qual estão presentes muitos ingredientes (na maioria deles que não sabemos pronunciar) e com uma combinação bombástica e absurda entre sal, açúcar e gordura.

Sim, a indústria alimentar descobriu como combinar estes 3 ingredientes de forma a que o nosso palato peça mais e mais e mais daquele alimento. A expressão “é impossível comer só um!” aplica-se a estes alimentos,  que criam uma sensação de prazer no cérebro, à semelhança dos opiáceos.
Porquê?
Para que vendam mais embalagens dos cereais do ursinho… 🙁

2- Como conseguem criar esta sensação?
Esta “fidelização” aos produtos processados é criada pela sensação que referi anteriormente, gerando uma hiperpalatabilidade.

A hiperpalatabilidade é o que acontece quando vamos ingerindo estes alimentos, sendo que os mesmos vão modificando a nossa percepção dos sabores dos alimentos.
Ou seja, o sabor do alimento em cru, nunca será tão apetitoso ao paladar da criança quanto estes alimentos processados.

É uma competição desleal, pois perante uma bolacha altamente processada e uma maçã, quem ganha?

Aos olhos da criança que ainda não sabe fazer decisões que incorporam o conceito de saudável, ainda que a maçã seja doce, nunca chegará aos pés dos químicos artificiais do alimento processado.

Cabe a nós pais e adultos termos opções em casa o mais saudáveis possível, inclusivé nas creches!
A criança aprende a fazer as suas escolhas também por imitação do que vê em casa e na escola.

Vários estudos indicam que quanto mais diversificada a alimentação nos primeiros anos de vida da criança, mais aberta a novos sabores e texturas terá ao longo da sua vida.
Por outro lado, crianças expostas muito cedo a produtos processados têm tendência a ter uma alimentação mais pobre e deficitária na idade adulta (para além dos malefícios para a sua saúde).

3- O que fazer?

  • Em casa:
    O primeiro exemplo vem de casa… NÃO ter alimentos processados! 😉

    Caso a criança vá a uma festa ou alguém ofereça estes alimento pontalmente não há problema, mas devem explicar que é uma situação esporádica e que não deve comer muita quantidade do alimento.

    A criança é o agente modificador dos hábitos dos pais, os quais devem nesta fase ter uma alimentação diversificada e saudável para servirem de (bom!) exemplo.

  • Nas creches: Pedir o apoio das creches, juntar grupo de pais… Todas os esforços são importantes neste sentido!

    Cada vez mais as creches são um desafio para os pais que até têm uma alimentação saudável.
    Por isso, podem levar os próprios snacks de casa, organizar um lache saudável na escola, partilhar com as educadoras as vossas preocupações e definir o que a criança pode ou não comer.

    Mais dicas e ideias de snacks nos próximos posts! 😉

 

 

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