Quando uma mulher tem uma experiência menos positiva ou falta de orientação acerca da amamentação, pode decidir parar de amamentar. Esta decisão nunca é tomada de forma tranquila pela mulher, pela pressão que existe sobre esta questão.
Sinto que a mulher fica sempre com uma enorme culpa e sensação de falhar…

Por isso, o que eu gostava de vos dizer antes de decidirem parar de amamentar é:

1- Existe pressão para a mãe deixar de amamentar:
Sim existe! E começa logo nas maternidades com alguns profissionais e também com os nossos familiares/amigos que nos transmitem inseguranças.
O primeiro passo é reconhecer que existe e informar-se das suas opções/direitos/repercursões desta tomada de decisão para que seja feita de forma mais consciente para o casal e a mulher fique tranquila com a sua decisão. A maioria das mulheres que inibe a lactação ou tem problemas na amamentação tem sempre um arrependimento… ” Se eu soubesse faria de outra forma…”

Se estiverem informadas podem contornar os desafios da amamentação e ultrapassar as dificuldades.

2- Existem diversas opções antes de oferecer o leite artificial:
– Extrair o seu leite com bomba e oferecer por copo ou seringa;

– Caso não seja possível extrair o leite da mãe, pode oferecer o artificial por copo ou seringa e assim que o bebé e mãe tiverem condições devem retomar a amamentação. Desta forma evita confusões na pega do bebé e é mais favorável para as mães que querem amamentar;

– Pode dar o leite artificial durante a mamada, através do sistema de SNS. Poucos profissionais estão à vontade com este método, mas pode ajudar bastante a mãe a produzir mais leite (pois mantém o estímulo do bebé – fundamental para a produção de leite) e o bebé a manter a pega na mama. É claro que os pais devem ser orientado por um profissional, mas existe esta opção que ajuda bastante.
Se não quiserem usar este sistema podem ir colocando leite no canto da boca do bebé com uma seringa e ele vai tendo um volume extra de leite (desperdiçam um pouco mais, mas também é possível!).

Fica aqui um exemplo:
https://youtu.be/sHj4xuOPa7k

2- Procure um consultor em lactação para a ajudar com a sua situação:
Como referi anteriormente, nem todos os profissionais estão sensibilizados para esta temática e ninguém melhor que um consultor em lactação (uma formação avançada em lactação) para vos orientar melhor e identificar problemas e respectivas soluções.

Encontre aqui: http://amamentos.pt/pt

3- Mais tarde pode voltar a amamentar:
A re-lactação é possível, com orientação de um profissional e muita dedicação do casal, uma vez que é exigente para o bebé e família. Contudo, é possível! O quanto antes a mãe decidir amamentar, mais fácil será este processo.

4- Atenção aos mitos:
Se estão a pensar inibir porque a prima da amiga da vizinha vos disse que:

– “O bebé vai dormir melhor com leite artificial”
{O leite materno tem substâncias naturalmente presentes que potenciam um sono mais reparador no bebé e assim o seu crescimento}

– “Dá menos trabalho que amamentar”
{Menos trabalho do que tirar a maminha da blusa e colocar o bebé no colo? Aqui não tem que se preocupar em preparar a água, a dose, aquecer, esterilizar biberões… Está tudo pronto, à temperatura, hora e quantidade certa!}

– “Quando sairem à rua será mais fácil”
{Imaginem a logistica anterior na rua… é mais exigente sem dúvida!}

– “Amamentar dói horrores”
{Não é suposto doer, pelo contrário! O prazer de amamentar é descrito pelas mães como algo de muito positivo. Se dói é porque algo não está bem… Mais uma vez aqui uma boa orientação é fundamental. Pode ser da pega ou do freio do bebé… ou até mesmo da posição de amamentação ou outro factor fácil de corrigir!}

5- Não é pior mãe se não amamentar:
Amamentar é maravilhoso e de facto o laço afectivo com o nosso bebé é reforçado através deste processo. Diversos estudos revelam que bebés amamentados têm menos tendência de ser expostos a violência e abandono na infância.
Contudo, como sabemos o amor pelo nosso filho não é só definido pelo facto de o amamentarmos ou não.

Sejam menos exigentes com vocês! Esta fase não é fácil e sem apoio, pior será…
Procurem uma opinião de alguém com formação qualificada na área e ponderem a decisão com o vosso companheiro.

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