O freio da língua do bebé é uma estrutura da anatomia da boca que ajuda à mobilidade da língua.
Para a amamentação, a língua tem um papel importante que ajuda a extrair o leite materno através de movimentos de reptação pressionando o mamilo da mãe contra o céu da boca do bebé.

A observação do freio nem sempre é realizada pelos profissionais de saúde, mas tem um papel preponderante na amamentação e fala da criança. Em alguns países o exame ao freio já está incluído na observação geral do recém-nascido, sendo um critério obrigatório a avaliar.

Desta forma, com o apoio da consultora em lactação/amamentação (IBCLC) e pediatra Dra Graça Gonçalves (da Cliníca Amamentos, Lisboa) , vamos perceber melhor o que é o freio da língua e o seu impacto no bebé.

O que é o freio da língua?

O freio é uma estrutura que existe a unir o pavimento da boca à linha média da língua. É normal, portanto, ter freio da língua. Não é normal ter o freio muito curto, de modo que possa afetar os movimentos da língua tanto de protrusão (colocar a língua de fora), como de lateralidade (desviar a língua para a esquerda e para a direita) ou elevação (com a boca aberta elevar a língua até mais de meio caminho entre o maxilar superior ou inferior quase tocando o céu da boca). Apesar de existirem casos isolados é mais comum a incidência familiar em que vários membros da mesma família em diferentes gerações vão tendo freio curto.

Em que medida afeta a amamentação?

Existem diferentes tipos de freio curto, com consequências também diferentes na amamentação. O mero facto de ter um freio curto não significa que existam consequências negativas para a amamentação, havendo casos em que a amamentação decorre sem problemas para a mãe e para o filho. Os problemas mais comuns são a dificuldade de extração de leite com consequente má progressão de peso e a dor persistente, com ou sem fissuras, nos mamilos.

Como se pode resolver?

Nos casos menos graves a correção da pega e o treino que mamar implica para a própria criança são suficientes para a resolução do problema em termos de amamentação. No entanto, algumas destas crianças podem vir mais tarde a apresentar dificuldades na fala ou alterações dentárias consequentes ao freio curto.

Em muitos outros casos, a amamentação é a primeira e grande dificuldade para estas crianças, e enquanto não for feito o tratamento cirúrgico adequado (corte do freio) existirá sofrimento e grandes dificuldades da mãe e do filho. O corte do freio deve ser feito por pessoas habilitadas a fazê-lo e com conhecimentos que lhes permitam identificar até que profundidade deve ser feito o corte.

Ainda assim, em muitos casos apenas o corte do freio não resolve a situação definitivamente, havendo necessidade de muito apoio e terapia corporal concomitantes.

Existe prevenção?

O freio curto não tem prevenção. Ou se nasce com ele ou não. Mas caso se identifique como possível fator impeditivo ou dificultador da amamentação deve atuar-se o mais rapidamente possível. Durante a vida uterina estes fetos já fazem os movimentos de sução e deglutição utilizando uma língua com freio curto, pelo que mesmo após o corte do freio vão ter tendência a perpetuar os mesmos movimentos, devendo fazer-se a intervenção o mais precocemente possível.

 

Sinais do freio curto: quando pedir observação de um consultor em lactação/amamentação (IBCLC)?

– Sempre que as dores/ deformações/fissuras nos mamilos persistirem apesar de uma aparente boa pega;

– Sempre que o bebé tenha dificuldade em fazer a pega, ou pareça cair da mama por não conseguir manter o vácuo, ou fizer estalidos a mamar;

– Sempre que haja dificuldades na progressão de peso.

Em todos estes casos o bebé deve ser orientado para uma consulta de lactação com um consultor em lactação/amamentação credenciado para apoiar a mãe e família que amamenta, fornecendo estratégias adequadas a cada caso.

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