A indução do trabalho de parto é uma realidade cada vez mais comum para as mulheres, por diferentes motivos:

– Alterações do fluxo placentar
– Restrições de crescimento fetal
– Patologia materna (diabetes, pré-eclâpsia…)
– Idade gestacional superior a 41-42 semanas
– Gravidez gemelar

Sabia que: Actualmente o colégio de Obstetrícia está a ponderar alterar a data de termo da gravidez para mais tarde, pois considera que de facto existem muitas induções nesta fase fruto de erros ecográficos.

A indução do trabalho de parto implica, como diz a sua terminologia, induzir de forma artificial o processo do parto. Naturalmente este processo é mediado por hormonas que vão se libertando conforme as alterações do bebé – ou seja: quando o bebé está pronto a nascer ele envia sinais químicos para que a mãe começe a desencadear o trabalho de parto.
Numa indução, o bebé não foi “avisado” que ia nascer… por isso estas hormonas vão ser dadas à mulher de forma artificial.

Como são administradas as hormonas?

– Via vaginal (pode ser colocado comprimido ou outro dispositivo que contenha hormona via vaginal e/ou na boca até derreter)

– Via endovenosa (através do soro)

O que é diferente numa indução? Estas são as perguntas mais frequentes e espero ajudar a clarificá-las:

1- As hormonas trabalham de forma diferente?

Sim, pois as que administramos são sintéticas e é mais exigente para o nosso corpo e bebé passar por este processo de forma “imposta”.
A oxitocina é a hormona responsável pelas contracções uterinas, as quais ajudam o colo uterino a apagar e dilatar. Quando uma mulher entra em trabalho de parto, todas estas fases do colo são progressivas (demoram dias inclusivé a acontecer, prinicipalmente num primeiro filho!) e não podemos esperar que todas as fases de amolecimento e apagamento do colo demorem menos tempo num parto induzido! Por isso, muitos partos induzidos demoram dias até se desenrolar… É normal tendo em conta o processo físico e químico do trabalho de parto.

2- O descoforto das contracções é diferente?

De facto, o nosso corpo é sabio e nunca dá hormonas de mais ou de menos… Tudo está bem regulado através da sinergia mãe-bebé. Quando colocamos medicação standart não sabemos se aquela mulher já tem oxicitocina (e outras hormonas favoráveis ao trabalho de parto) a circular em si ou não… Ou seja acabamos por administrar um protocolo que muitas vezes é demais para umas grávidas e por vezes é de menos.
Posto isto, algumas mulheres após administração do fármaco podem sentir mais contracções (curtas e de grande intensidade), algo que só iria acontecer mais à frente num trabalho de parto sem intervenção famacológica. Depende de cada mulher!

3- A movimentação da grávida sofre alterações?

Sim, inevitavelmente se colocamos um comprimido via vaginal não é aconselhado que a grávida deambule, ou faça básculas após a administração, pois este pode sair. Há que esperar algum tempo (protocolos variam entre hospitais e médicos) até poder voltar a demabular.

4- A oxitocina natural  é assim tão importante?

É de facto importante, pois além de proteger o bebé também tem um papel fundamental no elo de ligação que se estabelece entre mãe e filho. Esta hormona do amor, vai depois influenciar também o processo de amamentação, tornando-o mais prazeroso e natural para ambos.
(In)felizmente, a medicina ainda não inventou algo tão potente como o impacto desta homona no nosso coportamento, que nos torna HUMANOS, que nos liga e vincula… algo inexplicável e imensurável!

5- O terceiro estadio do trabalho sofre alterações?

O terceiro estadio do trabalho de parto é após a saída da placenta (pois é! Ela também tem que sair… Depois do bebé nascer!). Está instituído nos hospitais dar oxitocina artificial (via endovenosa) após a saída da placenta (quer tenham induzido o parto ou não) para ajudar o útero a contrair e assim a mulher não perder mais sangue do que o previsto. Se amamentarem na primeira hora de vida, está descrito que este risco também diminui, pois a hormona de saída do leite materno é…. a oxitocina! (não estavam nada a espera 😉 Pois é, ela é mesmo importante para a mulher, acreditem!).

Se tiverem que induzir o parto, não é o fim do mundo! Mas tenham consciência que pode demorar mais do que um trabalho de parto espontâneo e por isso aconselhem-se com o vosso médico e enfermeiro sobre estratégias para induzir o parto NATURALMENTE antes de avançar para esta decisão.

Vou deixar mais dicas no facebook e instagram sobre este tópico!
Espero que tenha respondido a algumas das vossas questões.

Para quem está a induzir neste momento dou-vos uma injecção de pura oxitocina com este filme!!!

PS- Namorem muito com o marido e pensem bastante no bebé com tranquilidade para libertarem ainda mais oxitocina. Go girls!!!

 

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