Há um “erro” permanente que em geral temos tendência a fazer, sem dar conta.
Às vezes são os próprios pais que o fazem, outras vezes pessoas de fora (como os avós ou estranhos que ADORAM dar a opinião), ou pior ainda profissionais de saúde…

Este “erro” pode condicionar a vida da criança, o seu desenvolvimento e por vezes coloca até a sua saúde em causa.
É tão comum, que origina uma insegurança tremenda no nosso papel de pais, faz-nos sentir incompetentes e “maus pais“.

Mas pior ainda… dá rótulos às nossas crianças!

Fá-las acreditar que devem guiar-se por um padrão.  Padrão este que nos diz que TODOS devemos ser percentil 50, devemos todos andar aos x meses e falar aos y…
Caso contrário, “há algo de errado“!

Refiro-me ao “erroda comparação!
Comprar crianças: Qual é o teu percentil? Só gatinha e não anda??? Ainda não fala???

[Saibam mais sobre evolução do peso da criança aqui]
Cada criança é ÚNICA!

Por isso terá o seu ritmo de desenvolvimento e a nossa função enquanto pais para além de amar e cuidar é proporcionar oportunidades para o seu crescimento, apoiar este desenvolvimento respeitanto o ritmo de cada um.
Isto aplica-se ao sono, alimentação, andar, falar, usar o bacio…

Não é tudo preto e branco, nem todos nós crescemos ao mesmo ritmo… Existem algumas referências estudadas de facto, mas cada vez mais excepções às mesmas. Obrigar uma criança a saltar etapas do seu crescimento não será positivo para ela. Obrigá-la a ser percentil 50 quando na verdade a sua herança genética e de 30 ou de 70… Será algo dificil para ela e para os pais.

Portanto, da próxima vez que vos sair algo deste género “o teu irmão com a tua idade já fazia/tinha [_____]”, pensem duas vezes. Pensem que não só não estão a respeitar o ritmo da criança, como a dizer-lhe que não é suficiente.
Será que já parámos para perceber que outras actividades aquela criança é maravilhosa? Já as valorizámos?

Não temos todos os mesmos timmings, uns avançam mais cedo que outros em determinadas actividades. [Se calhar ainda não anda, mas fala imenso e diz as palavras muito bem!].

Queremos crianças confiantes e que acreditem em si quando forem adultos? Então temos que parar de as comparar… porque são únicas, de forma especial!

Então da próxima vez que alguém fizer um comentário deste género:

Acho está uma resposta “cientificamente” boa! 😉

5 replies
  1. Happy Mom
    Happy Mom says:

    Não poderia deixar de concordar mais com este post. Faz-me impressão as mães que publicam nos diversos grupos que existem no Facebook sempre questionando quem já se senta, come com talheres ou constrói aviões (exagero meu mas é só do que me lembro quando vejo esse tipo de posts). Quando me perguntam o que o meu bebé faz, se já se senta, anda ou o que seja, respondo sempre: “Ainda não mas não forço. É tudo ao ritmo que ele quiser”. E recebo sempre aquele olhar como se eu fosse um ET ou uma má mãe por não querer que o meu bebé seja o olímpico do mundo das fraldas. Também já tinha escrito sobre isso neste link: http://cronicasdeumahappymomdescomplicada.blogspot.pt/2017/01/o-meu-bebe-ja-se-senta-e-consegue.html?m=1. Temos de ser menos competitivos naquilo que não vale a pena competir. Dar tempo ao tempo e deixar as nossas crianças desenvolverem-se ao seu ritmo, sem pressões desnecessárias quando a única coisa que se deseja para elas em tão tenra idade é que brinquem e descubram o mundo que as rodeia.

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  2. Andreia
    Andreia says:

    Adorei este artigo, é tão verdade! Tenho sentido essa pressão com o meu filhote que, principalmente sendo rapaz, começou a andar tarde e é um bocadinho preguiçoso para falar… Para cúmulo, é uma criança sossegada e gosta de comer de tudo. Ou seja, nas consultas ainda somos chamados à atenção por ele estar um pouco mais bolachudinho, apesar de, ao contrário de muitas crianças muito mais magras que ele, não comer açúcares a torto e a direito e comer muito bem legumes. Come pouco pão, cereais pouco açucarados, iogurtes naturais em vez dos habituais de aromas, entre outras coisas.
    É uma questão cultural e em que toda a gente gosta realmente de dar o seu “bitaite”, por isso ainda bem que há profissionais como a Enf. Carmen que se dedicam a informar melhor as pessoas. Parabéns pelo site! 🙂

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    • Carmen Ferreira
      Carmen Ferreira says:

      Sem dúvida Andreia! Os “bitaites” destoiem a confiança dos pais e não promovem a felicidade ou o bem-estar das nossas crianças.
      Grata pelas suas palavras e parabéns pelo seu filhote e pelas boas opções ❤️?

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  3. Isabel Loureiro
    Isabel Loureiro says:

    Passei exatamente pelo mesmo. Tenho um casal de gémeos com uma enorme diferença de percentil entre eles, tanto no peso como na altura. Os primeiros 18 meses mais ou menos eram de uma enorme ansiedade, nas consultas, entre amigos e até na rua, havia sempre aquele comentário “ah… Mas ela é mais pequenina não é?” Eu ficava triste, ansiosa, desanimada, como se fosse eu que estivesse a fazer algo de errado. Até que tive que deixar de ligar e comecei a responder que “as meninas são mais pequeninas” ou “ele é que é muito grande…”
    E assim fui-me libertando desse stress, dessa preocupação. Eles estão os dois com um desenvolvimento normal para a idade, à exceção da altura, mas não somos todos iguais e o erro é mesmo compará-los… 😉

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