A falta de interesse pela comida é um fenómeno multifactorial, que deve ser analisado caso a caso e de forma mais completa possível.

 Quando começa esta falta de interesse?

É sabido que o bebé e a sua saúde estão directamente dependentes dos alimentos, desde o momento en que ele ainda vive dentro da barriga da mãe e esta o alimenta.
Posteriormente, com a amamentação começam novos desafios na alimentação da criança e alguns factores que influenciam a nutrição da criança. A amamentação prepara a criança a diversos níveis para a introdução alimentar e é ainda o alimento principal para a criança no primeiro ano de vida.

Na fase de regresso ao trabalho da mulher podem começar a surgir mais desafios para os pais e instalar-se uma ansiedade em torno da alimentação da criança.


Factores que influenciam o interesse da criança nos alimentos:

  • A forma introdução dos alimentos:
    Como vai introduzir que alimentos?  Já pensou e falou com os profisisonais de saúde de referência a melhor forma de o fazer? Sente-se à vontade esse método? Tem dúvidas?

    Tudo isto é importante para esta fase de transição, pois a informação será fundamental para adequar à sua rotina familiar e alimentar.
    Quando falamos em rotina, não é para colocarem alarmes no telemóvel para a criança comer, muito pelo contrário! É criar um momento na manhã, ao almoço e ao jantar em que a família se reune à mesa para partilhar os alimentos, de forma tranquila.

 

  • Expectativa dos pais:
    Achamos sempre que o nosso bebé vai comer com os talheres muito precocemente, que vai adorar TODOS os legumes, vai comer o prato TODO… Será perfeito!
    SPOILER ALERT: Nem sempre é! O:)A expectativa dos pais também condiciona o momento da alimentação, pois as suas posturas e comunicação verbal/não verbal dá informações à criança sobre o seu comportamento e gera nela alguma ansiedade/stress.Por isso mesmo há que ter alguma calma e libertar-nos da expectativa do bebé ter que comer logo toda refeição (até porque o objectivo é comer um pouco do alimentos e depois complementar com a amamentação!) e da limpeza (os bebés gostam de mexer na comida! Precisam de explorar o mundo!!! Mesmo que isso implique uma fascina extra do chão e paredes).Para os que ADORAM números aqui vai:
    – O tempo de refeição deve ser de cerca de 40 minutos… Que será suficiente para o bebé explorar a comida e ingerir a quantidade necessária;-  Intervalos entre as refeições sólidas de cerca 2/3 horas (na fase inicial o bebé vai começar por comer apenas uma refeição e o resto do dia maminha, que ele próprio gere muito bem os intervalos);

    – Aos 6 meses o estomâgo do bebé tem a capacidade de cerca de 200ml = 1 copo (muito diferente do tamanho do prato de um adulto!). Por isso NUNCA deve forçar o bebé a comer mais do que ele quer.

    Nota: isto não é uma prescrição médica, podem existir dias mais complicados, em que o bebé não lhe apetece comer porque está irritado ou com sono… Respeitar acima de tudo!

  •  Identificar atempadamente os problemas:
    Muitas vezes pequenas dificuldades começam a instalar-se de forma muito progressiva e os pais podem não perceber ou achar que “é uma fase” e vão agravando esta relação da criança com a comida, chegando a casos muito complicados de resolver.
    Por isso o ideal é serem acompanhados por um bom profissional de saúde com formação nesta área para vos ajudar.Recomendo SEMPRE a Dra Graça Gonçalves que dá consultas de introdução complementar, segundo o método do Baby Led Weaning, ajudando as crianças a terem uma experiência mais positiva e saudável com a alimentação.
  • Estimular boa relação com os alimentos:
    Este estímulo vem de um começo bem estruturado e planeado, com alimentos de valor nutritivo alto (como legumes, frutas, etc…) e criar uma refeição EM família!
    Não devem ser usadas distracções, como televisão, jogos, ipads, iphones… De forma a permitir que a criança tenha o seu foco na alimentação e este seja um momento de aprendizagem (novos sabores, texturas, cores…).
  • Não fazer da comida uma recompensa/punição:
    Na sequência do ponto anterior, é importante que a criança não encare os alimentos como algo menos positivo, etendendo a sua importância para a saúde.
    Por vezes parece ser a saída mais fácil, mas terá consequências nas escolhas alimentares daquela criança até à vida adulta!DICA: Se oferecer um alimento de cada vez, é mais fácil da criança aceitar, deixando que explore com as mãos.
    Não desista se o bebé recusar algum alimento, deve oferecer o mesmo em alturas diferentes, sem insistir.TOME NOTA: Especialistas referem que para um criança afirmar com toda a certeza que não gosta de um alimento deve experimentá-lo cerca de 8 a 15 vezes.
    Se após estas tentativas não gostar mesmo, respeite e não ofereça mais.
    Não tenha a tentação de esconder esses alimentos na comida da criança, pois assim ele recusará toda a comida em geral.
  • Saber identificar os sinais de fome da criança:
    O choro pode ser confundido com fome e outros desconfortos da criança, levando os pais a oferecerem alimentos fora da rotina alimentar, alterando a mesma e confundindo a criança.
    Daí ser importante ter noção dos intervalos e quantidades que o bebé deve comer, adaptando a cada fase de desenvolvimento e bebé.
    Desta forma incentivamos a autonomia do nosso bebé, a sua participação activa no processo de alimentação, encorajando a alimentação quando tem fome.Vejam mais dicas no blog e partilhem as vossas dúvidas!
0 replies

Leave a Reply

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *