Breastsleeping é um conceito recente, mas já praticado pela nossa (e outras) espécies desde o início dos tempos. Este termo alia a amamentação e o sono, pois de facto ambos estão interligados… Quem amamenta um bebé em exclusivo sabe que é difícil fazê-lo longe do… bebé!
O Breastsleeping é então na prática a partilha da cama para amamentar.

Antropólogos americanos e muitos pediatras portugueses defendem esta metodologia , dado que é importante para que o bebé se auto-regule, favoreça a amentação, o vínculo com a família e a saúde do bebé.

Pesquisas realizadas durante 25 anos foram ontem partilhadas no Congresso Internacional de Amamentação em Lisboa, pelo antropólogo James McKenna, que  comprovam que o bebé e a família (em especial a mãe) necessita partilhar a cama para: a própria família dormir melhor, para validar os pais (em especial a mãe, quando passam agum tempo fora em trabalho) o seu papel na família.

Para o bebé as vantagens são imensas, pois o seu ambiente é A MÃE! Não faz sentido separá-lo do mesmo, não é natural! Por mais pressão que a sociedade exerca de que “tens que passar o bebé para o berço senão habitua-se, o teu casamento pode desmoronar porque o bebé dorme com vocês” (entre outras opiniões que todos já ouvimos, de certeza!).
Contudo, não podemos querer que um bebé durma 8 horas no berço enquanto recém-nascido, pois ele não vem “programado” do ponto de vista da sobrevivência assim! Não seria um bebé, e NÃO SERIA SAUDÁVEL…
O que a nossa sociedade actual precisa é de saber o que É UM BEBÉ!

Já não estamos habituados a ter bebés nas nossas vidas e esperamos que sejam iguais a um adulto… Pois não serão! Especialmente no que toca à parte do sono. Estão e são dependentes dos pais e não podemos apressar processos fisiológicos e impôr “treinos do sono” em bebés, porque acarretam riscos para a sua saúde física e emocional.

 

Muitos pais colocam a questão dos riscos de partilhar a cama, que na verdade não foram encontrados nesta pesquisa exaustiva destes antropólogos mas que recomendam ter alguns cuidados no breastsleeping se: fumar ou consumir drogas/medicação, caso sofra de apneia, se a mãe apresentar mamas extremamente muito grandes (e mesmo assim não é incompatível 😉 ).

Para os bebés que praticavam breastsleeping verificou-se que a incidência da morte súbita era francamente menor! Portanto, a partilha da cama era positiva para o bebé dado que regulava a sua temperatura, favorecia a amamentação e o equilibrio emocional da criança até à vida adulta.

 

Este método é muito facilitador para as mães (e famílias) que amamentam, fazendo com que a duração da amamentação seja mais longa e o bebé e a mãe usufruam de mais benefícios. Até para o pai se verificou benefícios a nível da relação com o bebé assumindo um papel activo na educação e cuidados ao bebé.

Irei partilhar com vocês mais estudos apresentados no Congresso Internacional de Amamentação, pois é fascinante a informação nesta área que está a ser partilhada por outros países, mas que as nossas famílias devem ter acesso para poderem tomar decisões mais informadas e optar pelo melhor e mais saudável para o bebé.

 

 

 

10 replies
  1. Maria Moreira
    Maria Moreira says:

    Gostei muito deste seu post. Sou profissional de educação especial na área da intervenção precoce e parece-me importante a divulgação destes estudos científicos para compreendermos e participarmos na mudança de mentalidades atitudes das famílias e essencialmente dos profissionais ligados a intervenção precoce. A ideia de que os bebés e as crianças são adultos em miniatura já vai longe mas ainda há muitas ideias e mitos que perduram. Esta divulgação é também importante para a atualização constante de comhecimento por parte dos técnicos. Fico à espera de mais…
    Obrigada pelo seu trabalho

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  2. Ines moura
    Ines moura says:

    Parabéns pela abordagem simples e esclarecedora!
    Sou ESSMO e concordo com cada palavra que disse mas os estudos apresentados vem trazer uma maior credibilidade!!! Obrigada oela partilha.

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    • Carmen Ferreira
      Carmen Ferreira says:

      Obrigado Inês! Sem dúvida que os profissionais de saúde também devem informar os pais sobre esta questão até para adequar expectativas e perceberem os efeitos positivos para a criança e família. O nosso papel é fundamental!

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  3. Isabel
    Isabel says:

    Nao amamentei a minha primera filha más dormiu comigo ate aos seis meses de vida e nessa altura foi para o berço dela no quarto dela e aceitou muito bem a mudança.Neste momento tenho um bebé de tres meses que armamento e que dorme comigo todas as noites embora durma ap principios noite no seu berço,acordando a primeira vez para mamar ja fica comigo.Nao me arrependo de o ter feito antes e muito menos agora
    Acho que cria lacos afectivos muiyo fortes .Obrigada pela partilha

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  4. Isabel
    Isabel says:

    Gostei muito do post , mas tenho uma questão, quando quisermos passar o bebé para a sua caminha qual a melhor maneira?
    Eu tenho um bebé com 5 meses e para mim já se torna muito complicado dormir e sempre dormi com ele desde que nasceu, mas agora mexe-se muito e passa a noite a dar-me pontapés , eu já tentei pô-lo na caminha dele , mas ele chora muito e quando se deixa dormir acorda a chorar e só acalma quando vem para a minha cama. , o que é que eu faço?

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    • Carmen Ferreira
      Carmen Ferreira says:

      Olá Isabel! Promover uma rotina noturna calma e pode deixar uma fralda com seu cheiro para ser mais fácil. Depois terá que se adaptar caso a caso… Será sempre o um processo único para cada família! Tudo a correr bem <3

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